05-ARTIGO SOBRE CONTAMINAÇAO DE SOLO DO I.A.P

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CEMITERIOS:PASSIVO AMBIENTAL MEDIDAS PREVENTIVAS E MITIGADORAS
Elma Nery de Lima Romanó
Instituto Ambiental do Paraná, Ponta Grossa-PR

INTRODUÇÃO
Os cemitérios nada mais são do que depósito de corpos
humanos, que necessitam de uma destinação correta, pois a
degradação dos mesmos pode se constituir em focos de contaminação.
A decomposição dos corpos depende das características físicas do solo
onde o cemitério está implantado ou será implantado. (PACHECO,
1997)
O crescimento populacional tem gerado a necessidade de
construção de mais cemitérios, sendo que existem locais totalmente
inadequados utilizados com tal finalidade. Devido a falta de
planejamento e metodologia adequada, cemitérios que situavam-se em
locais distantes das cidades, hoje fazem parte dela, propiciando o
aparecimento de áreas de risco potencial ao meio ambiente.
Autores como BOWER
1
citado por PACHECO em (1986)
registrou alguns casos históricos de contaminação das águas
subterrâneas por líquidos humurosos (oriundo de cadáveres), em
águas que se destinavam ao consumo humano. Esses autores destacam
ainda a incidência de febre tifóide entre as pessoas que viviam nas
proximidades da cidade de Berlim, no período de 1863 a 1867 e o
ocorrido na cidade de Paris, onde as águas subterrâneas mal cheirosas
e de sabor adocicado, em especial nas épocas quentes, foram captadas
em poços situados nas proximidades de um cemitério.
Denota-se desta forma a importância da preocupação com
os mananciais subterrâneos, pois durante os últimos anos, este recurso
começou a ser utilizado como forma complementar no sistema de
abastecimento de água na maioria das grandes cidades. Nesse sentido,1
BOWER, H. Groundwater hydrology. New York: McGraw Hill,1978. 2
acredita-se que os aqüíferos subterrâneos mereçam atenção especial,
porque o comprometimento desses mananciais é quase irreversível,
além de ser extremamente onerosa sua recuperação na
descontaminação.
Atualmente o Paraná possui inúmeros cemitérios, situados
em locais onde não foram efetuados estudos do meio físico,
configurando, portanto áreas de risco ambiental., áreas que
apresentam um possível passivo ambiental e a nova legislação
federal e estadual tem como finalidade a redução dos riscos de
contaminação dos cemitérios já implantados e dos novos cemitérios.

IMPACTOS AMBIENTAIS ESPERADOS

A preocupação com os impactos ambientais reside no fato
que os cemitérios, mesmo aqueles onde todas as medidas de proteção
ambiental foram tomadas, não podem ser considerados como locais
perfeitamente individualizados do meio ambiente. Portanto, a
possibilidade de efluentes líquidos serem lançados para fora do
cemitério, deve ser considerada, havendo a necessidade do
monitoramento constante destas obras.
Assim, com a implantação de cemitério, é de se esperar os
seguintes impactos ambientais e sanitários.
1.CONTAMINAÇÃO POR NECROCHORUME
Vários são os problemas que ocorrem quando um cemitério
encontra-se mal localizado, aos quais passamos a comentar.
Cessada a vida, anulam-se as trocas nutritivas das células e
o meio acidifica-se, iniciando-se o fenômeno transformativo de
autólise. Enterrado o corpo (inumação ou entumulamento), instalam-
se os processos putrefativos de ordem físico-química, em que atuam
vários microorganismos.
A putrefação dos cadáveres é influenciada por fatores
intrínsecos e extrínsecos. Os intrínsecos são pertencem ao próprio
corpo, tais como: idade, constituição física e causa-mortis. Os
extrínsecos são pertinentes ao ambiente onde o corpo foi depositado,
tais como: temperatura, umidade, aeração, constituição mineralógica
do solo, permeabilidade, etc…
O corpo humano, em sua constituição apresenta cerca de
65% de água, com relação ao peso. Os indivíduos magros apresentam 3
um conteúdo de até 75% de água, enquanto que os indivíduos gordos
apresentam até 55% de água. Dessa maneira um indivíduo adulto que
tenha 70 kg tem um conteúdo da ordem de 46 Kg em água, ou seja
0,60 L/kg.
Com a decomposição dos corpos há a geração dos
chamados efluentes cadavéricos, gasosos e líquidos. Os primeiros que
surgem são os gasosos, seguindo-se os líquidos.
Os efluentes líquidos, chamados de necrochorume, que são
líquidos mais viscosos que a água, de cor acinzentada a acastanhada,
com cheiro acre e fétido, constituído por 60% de água, 30% de sais
minerais e 10% de substâncias orgânicas degradáveis, dentre as quais,
duas diaminas muito tóxicas que é constituída pela putrescina (1,4
Butanodiamina) e a Cadaverina (1,5 Pentanodiamina), dois venenos
potentes para os quais não se dispõem de antídotos eficientes.
A toxicidade química do necrochorume diluído na água
freática relaciona-se aos teores anômalos de compostos das cadeias do
fósforo e do nitrogênio, metais pesados e aminas.
O necrochorume no meio natural decompõe-se e é reduzido
a substâncias mais simples e inofensivas, ao longo de determinado
tempo. Em determinadas condições geológicas, o necrochorume
atinge o lençol freático praticamente íntegro, com suas cargas
químicas e microbiológicas, desencadeando a sua contaminação e
poluição. Os vetores assim introduzidos no âmbito do lençol freático,
graças ao seu escoamento, podem ser disseminadas nos entornos
imediato e mediato dos Cemitérios, podendo atingir grandes
distâncias, caso as condições hidrogeológicas assim o permitam.
Existem estudos que na cidade de São Paulo houve casos de
ocorrência de vetores transmissores da poliomielite e hepatite
(patógenos), em profundidades da ordem de 40 a 60 metros,
respectivamente, em poços tubulares perfurados em rochas
sedimentares cenozóicas da Formação São Paulo .
SILVA (2000) em sua pesquisa realizada em 600 cemitérios
no Brasil e alguns no exterior observou que 75% dos casos de
problemas de contaminação e de poluição verificados, eram
originados por cemitérios municipais e 25% por Cemitérios
particulares com problemas locacionais, construtivos ou operacionais
(alguns deles ditos “clandestinos”).
Desde o século passado, tem-se ligado a incidência de
endemias à contaminação do subsolo, gerada por cemitérios. É do
consenso geral o potencial contaminador dos efluentes da
decomposição cadavérica, em especial no que diz respeito ao lençol 4
freático e à sua explotação para o consumo humano, nas
circunvinhanças dos cemitérios.
Nesse enfoque nota-se grande deficiência a nível mundial,
na publicação de dados e trabalhos específicos, com a abrangência e
detalhamento requeridos.
Em 1879, a Sociedade dos Higienistas franceses publicou
um artigo correlacionando a febre tifóide que varreu Paris no mesmo
ano, com a contaminação microbiológica da água subterrânea
utilizada para consumo humano, pelos efluentes líquidos cadavéricos.
No Estado de São Paulo, a USP, investigou a influência dos
Cemitérios na contaminação dos aqüíferos livres no Cemitério Vila
Formosa (segundo maior do mundo) e Vila Nova Cachoeirinha, na
cidade de São Paulo e o Cemitério de Areia Branca, na cidade
litorânea de Santos. A conclusão foi que há um comprometimento
sério relativo a contaminação do subsolo, nas cercanias daquelas
necrópoles.
SILVA (1999), observou a presença de radioatividade
num raio de duzentos metros das sepulturas de cadáveres que em vida
foram submetidos a radioterapia ou que receberam marca-passos
cardiológicos, alimentados com fontes radioativas. Materiais
radioativos são móveis na presença de água, por isto pessoas que
fazem este tipo de tratamento, segundo o autor deveriam ser cremadas
e suas cinzas dispostas como lixo atômico, porém a cremação tem
restrições ainda em nossa cultura, devido a crenças religiosas, razões
sociais e culturais.
MATOS (2001), observou na avaliação da ocorrência e do
transporte de microorganismos no aqüífero freático do Cemitério de
Vila Nova Cachoeirinha, no município de São Paulo que a pesquisa de
indicadores microbiológicos demonstrou a presença, de bactérias
heterotróficas, proteolíticas e clostrídios sulfito-redutores nas águas
subterrâneas do Cemitério e encontrou enterovírus e adenovírus.
2.POLUIÇÃO PELAS SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS QUE
COMPÕEM OS CAIXÕES DEVIDO A METODOLOGIA DE
CONSERVAÇÃO DE CADÁVERES.
Existem muitos tipos de substâncias químicas que são
utilizadas normalmente e historicamente na embalsamação,
tanatopraxia e na construção de caixões funerários, entre elas estão a
laca, substâncias de tingimento, colas, ferro e zinco, em alguns destes 5
produtos possuem em sua composição metais pesados.
SILVA (1998) destacou que o formol utilizado na
embalsamação, quase sempre é superdosado, pois as funerárias têm
procedimentos próprios (ainda não normatizados). Chegando a usar
soluções de formaldeído com concentrações superiores a 30%. Nestas
substâncias estão incluídos: formaldeído, metanol, arsênico, solventes
e vários metais pesados. Formaldeído e metanol correspondem à
maior porcentagem de substâncias químicas usadas em
embalsamações durante os últimos 90 anos e arsênico foi comumente
usado no início do século.
Atualmente vem sendo usada a técnica de tanatopraxia, que
é a técnica de preparar, maquiar e, restaurar partes do falecido, não é a
mesma técnica de embalsamação, pois serve apenas para melhorar o
aspecto do cadáver durante o velório, prolongando por algumas horas
este aspecto. A composição química dos produtos utilizados ainda é
desconhecida, utilizam ainda, cosméticos, corantes, enrijecedores,
etc…

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