Setor funerário cresce com diversificação de produtos

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Com pouco espaço para expansão, porém taxas consideráveis de crescimento, o setor funerário mostra como a diversificação dos serviços pode aumentar a receita de uma empresa – mesmo em um negócio do qual, a rigor, ninguém gostaria de se tornar cliente. Segundo dados da Feira Internacional de Produtos, Serviços e Equipamentos para o Setor Funerário e de Cemitérios (Funexpo), o setor cresceu 15% entre 2010 e 2011, embora a taxa de óbitos no Brasil não tenha apresentado aumento e tenda a cair com a elevação da expectativa de vida.

Por ser muito ligado à personalidade do homenageado, o cerimonial do velório permite que seja oferecida uma série de serviços, tanto por funerárias quanto por empresas relacionadas. "Uma funerária tem que estar preparada para prestar todo tipo de serviço", explica Haroldo Felício, proprietário de dois cemitérios e de uma funerária em Belo Horizonte e região e presidente do Sindicato dos Cemitérios particulares do Brasil (Sincep). "Há funerais com um clipe contando a vida da pessoa, música personalizada, e até pequenas orquestras tocando no velório. O céu é o limite", diz.
A oferta varia de acordo com o desejo do falecido e a capacidade financeira da família. Ele avalia que para atuar no setor é fundamental tato para saber como lidar com a família "no pior momento da vida deles".
Os serviços básicos que uma funerária pode prestar são o fornecimento da urna, a ornamentação e o velório em si. Além disso, grande parte das empresas privadas oferece serviços como reconstituição facial, maquiagem e tanatopraxia, técnica que permite a conservação do corpo em casos de velórios alongados ou tardios.
Funerárias são uma concessão, o que significa que, quando privadas, têm que passar por uma licitação pública, cujas regras variam de município para município. Segundo a Funexpo, 98% das empresas do setor são privadas, embora em algumas cidades, como São Paulo, o serviço seja público.
Serviços fora da funerária
Há também empresas que se adaptam ao nicho ao enxergar uma oportunidade de negócios. É o caso do site condolencias.com, sediado em São Paulo. Fundada em 2008 por Leandro Ferreira Magalhães, a empresa fornece e entrega coroas de flores para velórios.
A partir de 2002, a floricultura que era tocada pela família de Leandro desde 1978 passou a ter dificuldades em competir com empresas maiores atuando na internet. O empresário avaliou que não tinha condições de bater floriculturas maiores, com marcas já conhecidas e maior expertise na área, e decidiu que a melhor alternativa para entrar na internet era se especializar em um nicho – no caso, a venda de coroas de flores.
"Pensei nas coroas, que era um segmento mal explorado pelas grandes redes de floricultura, e montei um site pequeno em 2008", diz. O retorno, que era esperado para três ou quatro meses, foi obtido em apenas duas semanas, segundo ele.
O foco foi na agilidade do serviço. Ele promete entregar as flores até uma hora depois do pedido. Os atendentes são treinados a serem solícitos e respeitosos e não "empurrarem" mercadorias mais caras para os clientes. Exceções são casos em que empresas – 50% dos clientes – podem ter sua imagem prejudicada por oferecerem coroas mais baratas. "Quando o ex-vice-presidente José Alencar morreu, orientávamos as empresas que ligavam a comprar flores mais caras", lembra Leandro

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